Split payment: o que muda no caixa das empresas com a nova sistemática de cobrança de tributos

Split Payment na Reforma Tributária: o que muda para as empresas a partir de 2027?

Entenda como o novo modelo de arrecadação pode impactar o fluxo de caixa, a gestão tributária e a competitividade das empresas.

A Reforma Tributária começa a ganhar forma prática a partir de janeiro de 2027 com a implementação do split payment, um novo modelo de recolhimento de tributos que promete reduzir a sonegação, aumentar a transparência e automatizar a arrecadação. Ao mesmo tempo, a novidade traz desafios importantes para o fluxo de caixa e para a adaptação tecnológica das empresas.

Segundo João Eloi Olenike, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), as empresas precisarão rever sua gestão financeira para se adequar ao novo cenário.

“Uma empresa com margem pequena de lucro terá que se adequar o quanto antes e aprender a trabalhar sem o ‘dinheiro do governo’. Talvez até tenha que buscar financiamento, caso não administre muito bem o caixa.”

O que é o Split Payment?

O split payment (pagamento fracionado) é um mecanismo em que os tributos são separados automaticamente no momento da liquidação da operação.

Na prática, quando uma empresa emitir uma nota fiscal e receber o pagamento, o valor correspondente aos impostos será direcionado automaticamente ao Fisco, enquanto apenas o valor líquido ficará disponível para a empresa.

Hoje, muitas organizações utilizam o intervalo entre a venda e o recolhimento dos tributos para administrar o capital de giro. Com o novo sistema, esse prazo deixa de existir.

Exemplo prático

Imagine uma venda de R$ 1.000.

No modelo atual:

  • Empresa recebe R$ 1.000;
  • Os tributos são recolhidos posteriormente.

Com o split payment:

  • Parte correspondente aos tributos é automaticamente destinada ao governo;
  • A empresa recebe apenas o valor líquido da operação.

Esse novo modelo elimina o chamado float tributário, exigindo uma gestão financeira muito mais eficiente.


Como será a implementação?

A implantação ocorrerá de forma gradual.

Inicialmente, o split payment será:

  • Opcional;
  • Aplicado apenas à CBS;
  • Restrito às operações eletrônicas entre empresas (B2B).

Nas etapas seguintes, o modelo passará a contemplar também:

  • O IBS;
  • Operações obrigatórias entre empresas;
  • Pagamentos realizados por pessoas físicas via Pix, cartões e boletos.

A previsão é que a transição seja concluída em 2033, quando o novo sistema substituirá definitivamente o modelo atual.


Quais são os principais impactos para as empresas?

1. Maior pressão sobre o fluxo de caixa

O principal impacto será financeiro.

Empresas que utilizavam o prazo entre faturamento e pagamento dos tributos como apoio ao capital de giro precisarão reorganizar seu planejamento financeiro.

Negócios com margens reduzidas tendem a sentir esse efeito com maior intensidade.


2. Investimentos em tecnologia

O funcionamento do split payment dependerá da integração entre:

  • ERP;
  • Nota Fiscal Eletrônica;
  • Sistemas financeiros;
  • Instituições de pagamento (PSPs).

Essa integração será essencial para garantir a correta apuração e transferência automática dos tributos.


3. Redução da sonegação

Um dos objetivos centrais da Reforma Tributária é tornar a arrecadação praticamente automática.

Como os créditos tributários dependerão da regularidade de toda a cadeia de fornecedores, a tendência é que o próprio mercado incentive a conformidade fiscal.


4. Mudanças no planejamento tributário

Empresas precisarão revisar:

  • Gestão do caixa;
  • Formação de preços;
  • Planejamento tributário;
  • Aproveitamento de créditos;
  • Estratégias de compras e fornecedores.

Quanto mais cedo essa adaptação começar, menor tende a ser o impacto operacional.


Embora o objetivo seja simplificar o sistema tributário brasileiro, especialistas apontam que os primeiros anos serão marcados por uma fase intensa de adaptação.

Além das mudanças operacionais, muitas empresas precisarão investir em tecnologia, treinamento de equipes e revisão de processos internos.

A expectativa é que os benefícios relacionados à simplificação e ao aproveitamento automático de créditos sejam percebidos de forma mais consistente apenas após a conclusão da transição.


Para o presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, o período de transição é longo, mas necessário para permitir que empresas e sistemas se adaptem ao novo modelo.

Segundo ele, a Reforma Tributária tende a tornar o ambiente de negócios mais transparente, reduzindo distorções concorrenciais entre empresas que cumprem corretamente suas obrigações fiscais e aquelas que praticam sonegação.


O split payment representa uma das maiores transformações operacionais da Reforma Tributária. Mais do que uma mudança na forma de recolher tributos, ele exigirá novas práticas de gestão financeira, tecnologia e planejamento estratégico.

As empresas que iniciarem essa preparação desde já terão melhores condições para enfrentar a transição, preservar sua competitividade e aproveitar as oportunidades trazidas pelo novo sistema tributário.

Sobre o IBPT

Os estudos do IBPT são referências no mercado e visam identificar a carga tributária dos diversos setores da economia brasileira ou de uma empresa, especificamente. Eles fornecem um diagnóstico da tributação que incide sobre determinadas atividades, com dados suficientes para implementar uma gestão tributária e aumentar a competitividade. Realizamos pesquisas corporativas e de setores específicos para reduzir o peso dos tributos por meio de uma gestão tributária eficiente.

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